27 de mai de 2012

Hino Litúrgico para o Dia de Pentecostes

Ó Jesus Redentor, 
do universo Senhor, 
Verbo eterno do Pai, 
Luz da Luz invisível,
que dos vossos remidos 
vigilante cuidais. 

Vós, artista do mundo, 
e de todos os tempos 
o sinal divisor, 
no silêncio da noite 
renovai nosso corpo 
que lutando cansou. 

Afastai o inimigo, 
vós, que os fundos abismos 
destruís, ó Jesus! 
Não consiga o Maligno 
seduzir os remidos 
pelo sangue da Cruz 

Quando o corpo cansado 
for de noite embalado 
pelo sono e a calma, 
de tal modo adormeça, 
que ao dormir nossa carne 
não cochile nossa alma.

Escutai-nos, ó Verbo, 
por quem Deus fez o mundo, 
e o conduz e mantém. 
Com o Pai e o Espírito, 
vós reinais sobre os vivos 
pelos séculos. Amém.



-- Hino Liturgico da Celebração das Completas para o Dia de Pentecostes

Homília de Pentecostoes, Papa Bento XVI- 2012

Caros leitores, 

Por enquanto apenas duas frases da Homília do Santo Padre na celebração de Pentecostes, traduzidas  por mim (usando meu italiano bem incompleto). Quanto houver uma tradução oficial para o português, publicarei.

Não podemos, no entanto, ser ao mesmo tempo egoistas e generosos, seguir a tendência de dominar o próximo e provar a alegria do serviço desinteressado. Devemos sempre escolher qual impulso seguir e só podemos fazê-lo de modo autêntico com a ajuda do Espírito Santo.

Caros amigos, devemos viver segundo o Espírito de unidade e verdade, devemos pregá-lo por que o Espírito assim ilumina e nos guia a vencer o fascínio de seguir nossa própria verdade, em vez de acolher a verdade de Cristo transmitida pela Igreja.


24 de mai de 2012

Shavuot, a festa judaica no dia de Pentecostes

No judaísmo há três grandes festas, nas quais deve-se peregrinar até Jerusalém: Páscoa, Yom-Kippur e Shavout. Em todas as três ocasiões vemos Jesus Cristo presente, participando e, ao mesmo tempo, dando um novo significado. Na Páscoa, Jesus Cristo deixa-se conduzir como cordeiro até a Cruz, para a nossa salvação, concretizada ao ressucitar ao terceiro dia. No Yom-Kippur, no dia em que apenas o sumo sacerdote sobe ao altar do templo, pedindo o perdão dos pecados de todo povo de Israel, Jesus dialoga com seus discípulos até São Pedro declarar que Jesus esta acima do sumo sacerdote, pois é o Filho de Deus.

A Festa de Shavuot é a menos conhecida destas grandes festas de peregrinação e celebra a entrega da Torah  (os primeiros cinco livros do antigo Testamento) ao povo de escolhido por Deus. Sua data é determinada a partir da Páscoa, pois é celebrada 7 semanas após, no dia seguinte ao sábado. As sete semanas são como uma grande preparação para receber a palavra de Deus. 

As orações do dia destacam exatamente a maravilha que é a Palavra de Deus, até o ponto de quase ser o próprio Deus. Por exemplo:

A Torah, mais preciosa que o ouro.
O Senhor nos deu para ser estudada, 
Para Ele estar perto de nós
e nossas orações serem ouvidas. 

Com o coração alegre por receber estas palavras, o povo de Israel agradece ter sido escolhido, não por seus méritos, mas justamente pelo amor de Deus, em outra oração do Shavuot:

Judeus rezando com o filactério, aquela "caixinha" na
testa. Ela contém um trecho da Torah (Velho Testamento).
Nosso Senhor com glória e júbilo,
Nos alegramos e regozijamos pela Sua escolha
Pois Deus nos abençou e nos deu a sua Lei.

A Palavra de Deus é tão fundamental que é necessário passar todo o dia com ela. Dai o uso de caixinhas, que são amarradas ao corpo por uma tira de couro. Estas caixinhas chamam-se filactérios e contém quatro trechos fundamentais da Torah.

Nós devemos sempre vesti-la,
Como um diadema precioso
É a oração do povo,
no Seu filactério.

O mais conhecido dos quatro textos é o Shema Israel: 

Ouve, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único SenhorAmarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças. Os mandamentos que hoje te dou serão gravados no teu coração. Tu os inculcarás a teus filhos, e deles falarás, seja sentado em tua casa, seja andando pelo caminho, ao te deitares e ao te levantares. Atá-los-ás à tua mão como sinal, e os levarás como uma faixa frontal diante dos teus olhos. Tu os escreverás nos umbrais e nas portas de tua casa (Dt 6,4-9).  

Mas os outros três também são especiais:

O Senhor disse a Moisés:“Consagrar-me-ás todo primogênito entre os israelitas, tanto homem como animal: ele será meu.” Moisés disse ao povo: “Conservareis a memória deste dia, em que saístes do Egito, da casa da servidão, porque foi pelo poder de sua mão que o Senhor vos fez sair deste lugar; não comereis pão fermentado. Vós saís hoje do Egito, no mês das espigas. Assim, pois, quando o Senhor te houver introduzido na terra dos cananeus, dos hiteus, dos amorreus, dos heveus e dos jebuseus, que jurou a teus pais te dar, terra que mana leite e mel, observarás este rito neste mesmo mês. Durante sete dias comerás pães sem fermento, e no sétimo dia haverá uma festa em honra do Senhor. Comer-se-ão pães sem fermento durante sete dias. Não se verão em tua casa, em toda a extensão do território, nem pães fermentados nem fermento. Explicarás então a teu filho: isso é em memória do que o Senhor fez por mim, quando saí do Egito. Será isso para ti como um sinal sobre tua mão, como uma marca entre os teus olhos, a fim de que tenhas na boca a lei do Senhor, porque foi graças à sua poderosa mão que o Senhor te fez sair do Egito. Observarás a cada ano essa prescrição no tempo prescrito (Ex 13,1-10).

 “Quando o Senhor te houver introduzido na terra dos cananeus, como ele jurou a ti e a teus pais, e te houver dado essa terra,12.consagrarás ao Senhor todo primogênito; mesmo os primogênitos de teus animais, os machos, serão do Senhor.13.Entretanto, resgatarás com um cordeiro todo primogênito do jumento; do contrário, quebrar-lhe-ás a nuca. Todo primogênito dos homens entre teus filhos, resgatá-lo-ás igualmente.14.E, quando teu filho te perguntar um dia o que isso significa, dir-lhe-ás: é que o Senhor nos tirou do Egito com sua mão poderosa, da casa da servidão.15.E, como o faraó se obstinasse em não nos deixar partir, o Senhor matou todos os primogênitos do Egito, desde os primogênitos dos homens até os dos animais. Eis por que sacrifico ao Senhor todos os primogênitos machos dos animais, e devo resgatar todo primogênito entre meus filhos.16.Isso será como um sinal sobre tua mão e como uma marca entre teus olhos, porque foi pelo poder de sua mão que o Senhor nos tirou do Egito” (Ex 13,11-15).

Se obedecerdes aos mandamentos que hoje vos prescrevo, se amardes o Senhor, servindo-o de todo o vosso coração e de toda a vossa alma, derramarei sobre a vossa terra a chuva em seu tempo, a chuva do outono e a da primavera, e recolherás o teu trigo, o teu vinho e o teu óleo; darei erva aos teus campos para os teus animais, e te alimentarás até ficares saciado.  


Tende cuidado para que o vosso coração não seja seduzido e vos desvieis do Senhor para servir deuses estranhos, rendendo-lhes culto e prostrando-vos diante deles. A cólera do Senhor se inflamaria contra vós e ele fecharia os céus: a chuva cessaria de cair, e não haveria mais colheita, no vosso solo, de modo que não tardaríeis a perecer nesta boa terra que o Senhor vos dá. Gravai, pois, profundamente em vosso coração e em vossa alma estas minhas palavras; prenderas às vossas mãos como um sinal, e levaras como uma faixa frontal entre os vossos olhos. Ensinai-as aos vossos filhos, falando-lhes delas seja em vossa casa, seja em viagem, quando vos deitardes ou levantardes. Escreve-as nas ombreiras e nas portas de tua casa, para que se multipliquem os teus dias e os dias de teus filhos na terra que o Senhor jurou dar a teus pais, e sejam tão numerosos como os dias do céu sobre a terra (Dt,11,13-21).

E justamente deste último texto nasce outro sentido do Shavuot: celebrar os frutos da colheita, dons de Deus. Pra tanto, há recomendações claras sobre como deveria proceder a peregrinação para Jerusalem. Diz o Talmud:

Aqueles que vivem próximos a Jerusalem devem trazer figos frescos e uvas, mas os que moram a certa distância podem trazer figos secos e passas. Um touro com chifres folheados com ouro e uma coroa de olivas em sua cabeça deve estar a frente do grupo. A flauta deve ser tocada até o anoitecer; quando estiverem próximos a Jerusalém devem enviar mensageiros com os primeiros frutos da terra. Os governadores e sacerdotes do templo devem ir ao encontro deles. Os homens de Jerusalém devem se postar no caminho e dizerem alta voz: Äbençoados homens de tal cidade, estamos felizes por estarem conosco." Os ricos devem trazer seus frutos em potes de ouro e prata, os mais pobres em potes de couro de animais. Os potes serão dados ao sumo sacerdote.

Tentem imaginar esta festa, a procissão de homens de todos os lugares, dos países os mais distantes, chegando a Jerusalem, trazendo os primeiros frutos da colheita. Pois é neste cenário que ocorre a mais inusitada Festa de Shavuot: Pentecostes!

Pentecostes, a festa cristã

* Neste ponto recomendo ler a narração sobre Pentecostes, dos Atos dos apóstolos, capítulo 2

O primeiro fato que chama atenção na narração de Pentecostes é haver homens de todos as nações: Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos vindos de todas as nações que há debaixo do céu (At 2,5). Neste ponto já está óbvio que estavam lá judeus piedosos, seguidores dos preceitos, que haviam peregriando até Jerusalém para dar graças a Deus pela Torah.

O segundo ponto é que a Palavra passou a ser anunciada em diversas línguas: Estupefatos e surpresos, diziam: "Não são, acaso, galileus todos esses que estão falando? Como é, pois, que os ouvimos falar, cada um de nós, no próprio idioma em que nascemos? Partos, medos e elamitas; habitantes da Mesopotâmia, da Judéia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frigia e da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia próximas de Cirene; romanos que aqui residem; tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, nós os ouvimos apregoar em nossas próprias línguas as maravilhas de Deus! (At 2, 7-11). 

Pois no Monte Sinai, Deus entregou a palavra ao povo judeu. Agora, no monte de Jerusalém, Deus entrega a revelação não apenas aos judeus, mas aos povos de todas as nações. Que cada um ouça em sua língua o anúncio da Ressurreição de Jesus Cristo e salvação dos homens. No Monte Sinai, Deus falouOuve, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor (Dt 6,4). Pois agora, justamente por muito nos amar, este anúncio estende-se a todos homens. Pedro inicia seu discurso conclamando: Homens da Judéia e todos vós, tomai conhecimento disto e prestai ouvidos às minhas palavras (At 2,14)

E o que anuncia Pedro, qual novidade tem a dizer? Que Jesus Cristo, rejeitado, crucificado e morto, é Filho de Deus e ressuscitou. A este Jesus, Deus o ressuscitou, e disto nós todos somos testemunhas (At 2,32).  Testemunhas por que Pedro e os apóstolos não apenas correram para encontrar o sepulcro vazio na manhã de Páscoa, mas em diversas oportunidades estiveram com Ele e o viram ascender ao céu. E Pedro não apenas havia visto Jesus, como percebeu que sua traição havia sido perdoada, justamente por que Deus o amava.

Como prova bíblica, Pedro cita o Profeta Joel: Então, todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo. Porque no monte Sião haverá salvação, como Iahweh falou (Jl 3,5). O Monte Sião é   Jerusalém, onde Cristo foi crucificado, e também onde estavam reunidos os apóstolos. 

E ainda, Pedro compara Jesus, Rei Deus, com Davi, rei dos judeus, lembrando que a tumba de Davia ainda era conhecida dos judeus, mas Jesus Cristo já havia saído da tumba. Aliás, é sobre Jesus que Davi se referia ao falar no Salmo 16: Coloco Iahweh à minha frente sem cessar, com ele à minha direita eu nunca vacilo. Por isso meu coração se alegra, minhas entranhas exultam e minha carne repousa em segurança; pois não abandonarás minha vida no Xeol, nem deixarás que teu fiel veja a cova! (Sl 16, 8-10, citado por São Pedro em At 2,26-27). 

A escolha de Davi não parece inusitada porque segundo a tradição, Davi nasceu e morreu justamente no Dia da Festa de Shavuot. Se Davi, ao morrer, terminou concretamente sua história; Jesus Cristo apenas começava a salvação dos homens.

Por fim, ao ser questionado como deveriam proceder, pois era óbvio que Pedro anunciava uma grande novidade, algo diferente do judaísmo, os homens perguntam o que devem fazer para receber esta salvação. Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para a remissão dos vossos pecados. Então recebereis o dom do Espírito Santo (At 2, 38).

Pois aqui temos um chamado para reconhecermos nossos pecados, percebermos o quanto temos feito mal ao próximo, e procurarmos um sacerdote para receber novamente a graça que deixamos escapar, o perdão dos pecados através de uma confissão bem feita, também um sacramento instituído pelo amor de Deus em nosso favor.

-- Autoria própria

21 de mai de 2012

A Vida de Santa Rita de Cássia - filme

Um belo filme para TV sobre a vida de Santa Rita de Cássia, legendado em português. Trata-se de um produção italiana-francesa-alemã, com Vitoria Belvedere no papel principal e direção de Giorgio Capitani. 

Santa Rita de Cássia



A todos é conhecido como o itinerário terreno da Santa de Cássia se articula em diversos estados de vida, cronologicamente sucessivos e — o que mais vale — dispostos numa ordem ascendente, que marca as diversas fases de desenvolvimento da sua vida de união com Deus. Porque Rita é santa? Não tanto pela fama dos prodígios que a devoção popular atribui à eficácia da sua intercessão junto de Deus omnipotente, quanto pela admirável "normalidade" da existência quotidiana, por ela vivida antes como esposa e mãe, depois como viúva e enfim como monja agostiniana.

Era uma desconhecida jovenzinha dessa Terra, que no calor do ambiente familiar aprendera o hábito à tenra piedade para com o Criador na visão, que já é um ensinamento, do sugestivo cenário dos apeninos. Onde esteve então a razão da sua santidade? E onde a heroicidade das suas virtudes? Vida tranquila e própria da região da úmbria era a sua, sem o relevo de acontecimentos externos, no momento em que, contra as suas preferências pessoais, abraçou o estado matrimonial. Torna-se assim esposa, revelando-se logo como verdadeiro anjo do lar e desenvolvendo uma acção resoluta em transformar o comportamento do esposo. E também foi mãe, alegrada pelo nascimento de dois filhinhos, pelos quais, após a traiçoeira morte do marido, tanto receou e sofreu, no temor de que nas suas almas surgisse até mesmo o vislumbre de um desejo de vingança contra os assassinos do pai. Da sua parte, tinha-lhes generosamente perdoado, determinando também a pacificação das famílias.

Já viúva, pouco depois perdeu os filhos, de tal sorte que, estando livre de qualquer vínculo terreno, decidiu entregar-se toda a Deus. Mas também neste caso sofreu tormentos e contradições, até que pôde realizar o ideal que se lhe mostrara sorridente desde a primeira juventude, consagrando-se ao Senhor no mosteiro de Santa Maria Madalena. A humilde existência, aqui transcorrida por cerca de quarenta anos, foi igualmente desconhecida aos olhos do mundo e aberta só à intimidade com Deus. Foram, aqueles, anos de assídua contemplação, anos de penitências e de orações, que culminaram naquela chaga que se lhe imprimiu dolorosa na fronte. Na verdade este sinal do espinho, para além do sofrimento físico a ela causado, foi como o sigilo das suas provações interiores, mas sobretudo foi a prova da sua directa participação na Paixão de Cristo, centralizada — por assim dizer — num dos momentos mais dramáticos, como foi o da coroação de espinhos no pretório de Pilatos (cf. Mt 27, 29; Mc 15, 17; Jo 19, 2.5).

É aqui, portanto, que se precisa reconhecer o vértice da sua ascese mística; aqui a profundidade de um sofrimento que foi tal a determinar um vestígio somático externo. E aqui ainda se descobre um significativo ponto de contacto entre os dois filhos da Úmbria, Rita e Francisco. Na realidade, o que foram os estigmas para o "Poverello", foi o espinho para Rita: isto é, um sinal, aqueles e este, em directa associação à Paixão redentora de Cristo Senhor, coroado de agudos espinhos após a cruenta flagelação e, sucessivamente, trespassado pelos pregos e ferido pela lança no Calvário. Tal associação estabeleceu-se em ambos os Santos na mesma base daquele amor, que tem intrínseca força unitiva, e precisamente por aquele doloroso espinho a Santa das rosas se torna vivo símbolo de amorosa co-participação nos sofrimentos do Salvador. Como a rosa do amor é então viçosa e perfumada, quando está associada ao espinho do sofrimento! Assim foi em Cristo, modelo supremo; assim foi em Francisco; assim foi em Rita. Na verdade, também Ela sofreu e amou: amou a Deus e amou os homens; sofreu por amor de Deus e sofreu por causa dou homens.

Portanto, o gradual suceder-se das várias etapas no seu caminho terreno revela em Rita um paralelo crescimento de amor até àquele estigma que, assim como dá a medida adequada da sua elevação, também explica porque a sua meiga figura exerce tanto atractivo entre os fiéis, que celebram o seu nome e exaltam o seu admirável poder junto do trono de Deus.

Filha espiritual de Santo Agostinho, colocou em prática os ensinamentos dele, embora não os tenha lido nos livros. Aquele que às mulheres consagradas tinha tanto recomendado "seguissem o Cordeiro por onde quer que fosse" e "contemplassem com os olhos interiores as chagas do Crucificado, as cicatrizes do Ressuscitado, o sangue daquele que morria (...), tudo avaliando na balança da caridade" (cf. De sancta virginitate, 52, 54, 55; PL 40, 428), foi obedecido "ad litteram" por Rita que, especialmente nos quarenta anos de vida claustral, demonstrou a continuidade e a firmeza do contacto estabelecido com a vítima divina do Gólgota.

A lição da Santa — convém precisar — concentra-se nestes elementos típicos de espiritualidade: a oferta do perdão e a aceitação do sofrimento, não já por uma forma de passiva resignação ou como fruto de feminina debilidade, mas em virtude daquele amor por Cristo, que precisamente no recordado episódio da coroação sofreu, com as outras humilhações, uma atroz paródia da sua realeza.

Alimentado por esta cena, que não sem motivo a tradição da Igreja inseriu no centro dos "mistérios dolorosos do Santo Rosário, o misticismo de Santa Rita une-se de novo ao mesmo ideal, vivido em primeira pessoa e não simplesmente enunciado pelo Apóstolo Paulo: Ego... stigmata Domini Jesu in corpore me o porto (Gál 6, 17); Adimpleo ea, quae desunt passionum Christi, in carne mea pro corpore eius, quod est Ecclesia (Col 1, 24). Também este último elemento é preciso salientar, isto é, a destinação eclesial dos méritos da Santa: separada do mundo e intimamente associada ao Cristo que sofre. Ela fez refluir na comunidade dos irmãos o fruto deste seu "sofrer junto".

Realmente Rita é ao mesmo tempo a "mulher forte" e "a virgem prudente", de que nos fala a Sagrada Escritura (Prov. 31, 10 ss.; Mt 25, 1 ss.), que em todos os estados de vida indica, e não já por palavras, qual seja a via autêntica para a santidade como fiel seguimento de Cristo até à cruz. Por isto a todos os seus devotos, espalhados por todas as partes do mundo, desejei repropor a sua meiga e sofredora figura com o augúrio de que, nela inspirando-se, queiram corresponder — cada um no estado de vida que lhe é próprio — à vocação cristã nas suas exigências de clareza, de testemunho e de coragem: sic luceat lux vestra coram hominibus... (Mt 5, 16).

Por isso mesmo Te confio a presente Carta a que, na luz do Centenário de Santa Rita, desejarás levar ao conhecimento dos fiéis com o encorajamento e o conforto da Bênção Apostólica.

-- Papa João Paulo II, 10 de Fevereiro do ano 1982, quarto de Pontificado,  Por ocasião do IV Centenário do Nascimento de Santa Rita de Cássia

20 de mai de 2012

Homília de Pentecostes, Papa João Paulo II, 1998


1. Credo Spiritum Sanctum, Dominum et vivificantem: Creio no Espírito Santo, que é Senhor e dá a vida.

Com as palavras do Símbolo niceno-constantinopolitano, a Igreja proclama a sua fé no Paráclito; fé que nasce da experiência apostólica do Pentecostes. O texto dos Atos dos Apóstolos, que a Liturgia moderna propôs à nossa meditação, recorda com efeito as maravilhas operadas no dia de Pentecostes, quando os Apóstolos constataram com grande admiração o cumprimento das palavras de Jesus. Ele, como refere a perícope do Evangelho de São João há pouco proclamada, tinha assegurado na vigília da Sua paixão: Eu rogarei ao Pai e Ele vos dará outro Consolador, para estar convosco para sempre (Jo 14, 16). Este Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em Meu nome, Esse ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito (Jo 14, 26).

E o Espírito Santo, ao descer sobre eles com força extraordinária, tornou-os capazes de anunciar ao mundo inteiro o ensinamento de Jesus Cristo. Era tão grande a sua coragem, tão segura a sua decisão, que estavam dispostos a tudo, até a dar a vida. O dom do Espírito havia-lhes libertado as energias mais profundas, empenhando-as no serviço da missão que lhes fora confiada pelo Redentor. E será o Consolador, o Parakletos, a guiá-los no anúncio do Evangelho a todos os homens. O Espírito ensinar-lhes-á toda a verdade, haurindo-a da riqueza da palavra de Cristo, a fim de que eles, por sua vez, a comuniquem aos homens de Jerusalém e ao resto do mundo.

2. Como não dar graças a Deus pelos prodígios que o Espírito não cessou de realizar nestes dois milênios de vida cristã? O evento de graça do Pentecostes tem, com efeito, continuado a produzir os seus maravilhosos frutos, suscitando em toda a parte ardor apostólico, desejo de contemplação, empenho em amar e servir com total dedicação a Deus e aos irmãos. Ainda hoje o Espírito alimenta na Igreja gestos pequenos e grandes de perdão e de profecia, dá vida a carismas e dons sempre novos, que atestam a Sua acção incessante no coração dos homens.

Disto é prova eloquente esta solene Liturgia, na qual estão presentes numerosos membros dos Movimentos e das novas Comunidades, que nestes dias celebraram em Roma o seu Congresso mundial. Ontem, nesta mesma Praça de São Pedro, vivemos um inesquecível encontro de festa, com cânticos, orações e testemunhos. Experimentámos o clima do Pentecostes, que tornou quase visível a fecundidade inexaurível do Espírito na Igreja. Movimentos e novas Comunidades, expressões providenciais da nova primavera suscitada pelo Espírito com o Concílio Vaticano II, constituem um anúncio do poder do amor de Deus que, superando divisões e barreiras de todo o género, renova a face da terra, para construir nela a civilização do amor.

3. Escreve São Paulo na Carta aos Romanos, há pouco proclamada: «Todos aqueles que são movidos pelo Espírito de Deus, são filhos de Deus» (8, 14).

Estas palavras oferecem ulteriores pontos de reflexão para compreender a ação admirável do Espírito na nossa vida de crentes. Elas abrem-nos a estrada para chegarmos ao coração do homem: o Espírito Santo, que a Igreja invoca para que dê «luz aos sentidos», visita o homem no íntimo e toca directamente a profundidade do seu ser.

Continua o Apóstolo: Se o Espírito habita em vós, não estais sob o domínio da carne, mas do Espírito... Aqueles que são movidos pelo Espírito de Deus, são filhos de Deus (cf. Rm 8, 9.14). Contemplando, depois, a ação misteriosa do Paráclito, acrescenta com enlevo: Vós não recebestes um espírito de escravidão..., recebestes, pelo contrário, um espírito de adopção, pelo qual clamamos: "Abba, Pai!". O próprio Espírito atesta, em união com o nosso espírito, que somos filhos de Deus (Rm 8, 15-16). Eis-nos no centro do mistério! É no encontro entre o Espírito Santo e o espírito do homem que se situa o coração mesmo da experiência vivida pelos Apóstolos no Pentecostes. Esta experiência extraordinária está presente na Igreja, nascida daquele evento, e acompanha-a no decurso dos séculos.

Sob a ação do Espírito Santo, o homem descobre até ao fundo que a sua natureza espiritual não é velada pela corporeidade mas, ao contrário, é o espírito que dá sentido verdadeiro ao próprio corpo. Com efeito, vivendo segundo o Espírito, ele manifesta plenamente o dom da sua adopção como filho de Deus.

Nesse contexto, insere-se bem a questão fundamental da relação entre a vida e a morte, a que se refere Paulo ao observar textualmente: Se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo espírito fizerdes morrer as obras da carne, vivereis (Rm 8, 13). É precisamente assim: a docilidade ao Espírito oferece ao homem contínuas ocasiões de vida.

4. Caríssimos Irmãos e Irmãs, é para mim motivo de grande alegria saudar todos vós, que quisestes unir-vos a mim ao dar graças ao Senhor pelo dom do Espírito. Essa festa toda missionária alarga o nosso olhar para o mundo inteiro, com um pensamento particular aos muitos missionários sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos que prodigalizam a sua vida, muitas vezes em condições de enormes dificuldades, para a difusão da verdade evangélica.

Saúdo-vos a vós aqui presentes: os Senhores Cardeais, os Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio, os numerosos membros dos vários Institutos de Vida Consagrada e de Vida Apostólica, os jovens, os doentes e de modo especial quantos vieram de muito longe para esta solene cerimónia.

Uma recordação particular aos Movimentos e às novas Comunidades, que ontem tiveram o seu encontro e que hoje vejo presentes em grande número. Não tão grande como ontem, mas sempre grande! Dirijo um pensamento muito especial aos meninos e aos jovens que estão para receber os Sacramentos da Confirmação e da Eucaristia. Que exaltantes perspectivas apresentam as palavras do Apóstolo a cada um de vós, caríssimos! Através dos gestos e das palavras do Sacramento da Confirmação, ser-vos-á dado o Espírito Santo que aperfeiçoará a vossa conformidade a Cristo, já iniciada no Batismo, para vos tornar adultos na fé e testemunhas autênticas e corajosas do Ressuscitado. Com a Confirmação, o Paráclito abre diante de vós um caminho de incessante redescoberta da graça de adopção como filhos de Deus, que vos tornará alegres investigadores da Verdade.

A Eucaristia, alimento de vida imortal, que pela primeira vez haveis de saborear, tornar-vos-á prontos a amar e a servir os irmãos, capazes de dar ocasiões de vida e de esperança, livres do domínio da «carne» e do temor. Ao deixar-vos guiar por Jesus, podereis experimentar de maneira concreta na vossa vida a maravilhosa acção do seu Espírito, de que fala o apóstolo Paulo no oitavo capítulo da Carta aos Romanos. Esse texto, cujo conteúdo resulta particularmente actual neste ano dedicado ao Espírito Santo, deveria ser lido hoje com maior atenção, para honrar a acção que o Espírito de Cristo realiza em cada um de nós.

5. Veni, Sancte Spiritus!
Também a magnífica sequência, que contém uma rica teologia do Espírito Santo, mereceria ser meditada estrofe por estrofe. Deter-nos-emos aqui somente na primeira palavra: Veni, vinde! Ela evoca a expectativa dos Apóstolos, depois da Ascensão de Cristo ao céu.

Nos Atos dos Apóstolos, Lucas apresenta-no-los reunidos no Cenáculo em oração com a Mãe de Jesus (cf. 1, 14). Que palavra melhor do que esta podia exprimir a sua oração: «Veni, Sancte Spiritus»? Isto é, a invocação d'Aquele que no início do mundo pairava sobre as águas (cf. Gn 1, 2), e que Jesus lhes prometera como Paráclito?

O coração de Maria e dos Apóstolos naqueles momentos está voltado para a Sua vinda, num alternar-se de fé ardente e de confissão da insuficiência humana. A piedade da Igreja interpretou e transmitiu este sentimento no cântico do «Veni, Sancte Spiritus». Os Apóstolos sabem que é árdua a obra que lhes foi confiada por Cristo, mas decisiva para a história da salvação da humanidade. Serão eles capazes de levá-la a cabo? O Senhor tranquiliza os seus corações. A cada passo da missão que os levará a anunciar e a testemunhar o Evangelho até aos pontos mais remotos do globo, poderão contar com o Espírito prometido por Cristo. Os Apóstolos, ao recordarem-se da promessa de Cristo, nos dias que vão da Ascensão ao Pentecostes, concentrarão todo o pensamento e sentimento naquele veni – vinde!

6. Veni, Sancte Spiritus! Iniciando assim a sua invocação ao Espírito Santo, a Igreja faz próprio o conteúdo da oração dos Apóstolos reunidos com Maria no Cenáculo; antes, prolonga-a na história e torna-a sempre actual.

Veni, Sancte Spiritus! Assim continua a repetir em cada ângulo da terra com imutável ardor, firmemente consciente de dever permanecer de forma ideal no Cenáculo, em perene espera do Espírito. Ao mesmo tempo, ela sabe que do Cenáculo deve sair pelas estradas do mundo, com a tarefa sempre nova de dar testemunho do mistério do Espírito.

Veni, Sancte Spiritus! Oramos assim com Maria, santuário do Espírito Santo, preciosíssima morada de Cristo entre nós, para que nos ajude a ser templo vivo do Espírito e testemunhas incansáveis do Evangelho.
Veni, Sancte Spiritus! Veni, Sancte Spiritus! Veni, Sancte Spiritus!

Louvado seja Jesus Cristo!

-- Homilia do Papa João Paulo II no Domingo de Pentecostes, em 31 de Maio de 1998

17 de mai de 2012

O quarto artigo do Creio (Compêndio da Doutrina Católica)


Que coisa nos ensina o quarto artigo: Padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado?
- Ensina que Jesus Cristo para remir o mundo com o seu precioso sangue, padeceu por ordem de Pôncio Pilatos, governador da Judéia, e morreu sobre o lenho da cruz, da qual foi deposto e sepultado em um sepulcro novo.

Que quer dizer aquele termo "padeceu"?
- Este termo compreende todas as penas que na sua paixão sofreu jesus Cristo.

E padeceu Ele enquanto Deus ou enquanto homem?
- Padeceu enquanto homem porque enquanto Deus não podia padecer, nem morrer.

Que tipo de castigo era a Cruz?
- Era o mais infame e cruel de todos os castigos.

Quem o condenou a ser crucificado?
- Pôncio Pilatos, governador da Judéia, o qual um pouco antes tinha reconhecido a sua inocência.

E não poderia Jesus livra-se das mãos de Pilatos e dos judeus?
- Sim, poderia; mas reconhecendo ser a vontade de seu eterno Pai que ele padecesse e morresse pela nossa salvação, voluntariamente sujeitou-se, antes ele mesmo foi ao encontro de seus inimigos e, espontaneamente, se deixou prender e atar.

Onde foi crucificado?
- No Monte Calvário.

Que fez Jesus Cristo sobre a cruz?
- Rogou por seus inimigos, ofereceu a sua morte em sacrifício, e satisfez a Divina Justiça pelos pecados dos homens.

Na morte de Jesus Cristo, a divindade separou-se do corpo e da alma?
- Não, somente a alma de Jesus Cristo separou-se do corpo.

Porque morreu jesus Cristo?
- Morreu pela salvação de todos os homens.

Como Ele salvou todos os homens?
- Padecendo e morrendo enquanto homem e, enquanto Deus, dando um valor infinito às suas penas.

Se jesus Cristo morreu pela salvação de todos, porque nem todos se salvam?
- Porque para gozar o fruto da Paixão é necessário que nos apliquem os seus merecimentos; o que sobretudo se faz por meio dos Sacramentos instituídos para este fim pelo mesmo Jesus Cristo; e porque muitos ou não recebem os Sacramentos ou os recebem mal, por isso parece inútil a morte de Jesus.

-- Compêndio da Doutrina Cristã, por São Roberto Belarmino (século XVI)

16 de mai de 2012

Maria, Theotókos

Ao chegar a plenitude dos tempos, enviou Deus o seu Filho, nascido duma mulher. Com estas palavras da Carta aos Gálatas (4, 4), o Apóstolo Paulo une entre si os momentos principais que determinam essencialmente o cumprimento do mistério preestabelecido em Deus (cf. Ef 1, 9). O Filho, Verbo consubstancial ao Pai, nasce como homem de uma mulher, quando chega a plenitude dos tempos. Este acontecimento conduz ao ponto chave da história do homem sobre a terra, entendida como história da salvação. É significativo que o Apóstolo não chame a Mãe de Cristo com o nome próprio de Maria, mas a defina como mulher: isto estabelece uma concordância com as palavras do Proto-Evangelho no Livro do Gênesis (cf. 3, 15). Precisamente essa mulher está presente no evento salvífico central, que decide da plenitude dos tempos: esse evento realiza-se nela e por seu meio.


A mulher encontra-se no coração deste evento salvífico. A auto-revelação de Deus, que é a imperscrutável unidade da Trindade, está contida, nas suas linhas fundamentais, na Anunciação de Nazaré. Eis que conceberás e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo — Como se realizará isso, pois não conheço homem? — Virá sobre ti o Espírito Santo e a potência do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra. Por isso mesmo o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus... A Deus nada é impossível  (cf. Lc. 1, 31-37). 

É fácil pensar neste evento na perspectiva da história de Israel, o povo eleito do qual Maria descende; mas é fácil também pensá-lo na perspectiva de todos aqueles caminhos pelos quais a humanidade desde sempre procura resposta às interrogações fundamentais e, ao mesmo tempo, definitivas que mais a afligem. Não se encontra, talvez, na Anunciação de Nazaré, o início daquela resposta definitiva, mediante a qual Deus mesmo vem ao encontro das inquietudes do coração humano? Aqui não se trata apenas de palavras de Deus reveladas através dos Profetas; mas da resposta pela qual realmente o Verbo se faz carne (cf. Jo 1, 14). Maria alcança assim uma tal união com Deus que supera todas as expectativas do espírito humano. Supera até mesmo as expectativas de todo Israel e, particularmente, das filhas deste povo escolhido; estas, tendo por base a promessa, podiam esperar que uma delas se tornasse um dia Mãe do Messias. Qual delas, todavia, podia supor que o Messias prometido seria o Filho do Altíssimo? A partir da fé monoteísta do Antigo Testamento, isto se tornava dificilmente conjeturável. Só pela força do Espírito Santo, que estendeu a sua sombra sobre ela, Maria podia aceitar o que é impossível para os homens, mas possível para Deus (cf. Mc 10, 27).


Assim a plenitude dos tempos manifesta a extraordinária dignidade da mulher. Esta dignidade consiste, por um lado, na elevação sobrenatural à união com Deus, em Jesus Cristo, que determina a profundíssima finalidade da existência de todo homem, tanto na terra, como na eternidade. Deste ponto de vista, a mulher é a representante e o arquétipo de todo o gênero humano: representa a humanidade que pertence a todos os seres humanos, quer homens quer mulheres. Por outro lado, porém, o evento de Nazaré põe em relevo uma forma de união com o Deus vivo que pode pertencer somente à mulher, Maria: a união entre mãe e filho. A Virgem de Nazaré torna-se, de fato, a Mãe de Deus.

Esta verdade, recebida desde o início da fé cristã, foi solenemente formulada no Concílio de Éfeso (ano 431). Contrapondo-se à opinião de Nestório, que considerava Maria exclusivamente mãe de Jesus-homem, este Concílio salientou o significado essencial da maternidade da Virgem Maria. No momento da Anunciação, respondendo com o seu fiat, Maria concebeu um homem que era Filho de Deus, consubstancial ao Pai. Portanto, é verdadeiramente a Mãe de Deus, uma vez que a maternidade diz respeito à pessoa inteira, e não apenas ao corpo, nem tampouco apenas à natureza humana. Deste modo o nome Theotókos — Mãe de Deus — tornou-se o nome próprio da união com Deus, concedida à Virgem Maria.

A união singular da Theotókos com Deus, que realiza do modo mais eminente a predestinação sobrenatural à união com o Pai prodigalizada a todo homem (« filii in Filio »), é pura graça e, como tal, um dom do Espírito. Ao mesmo tempo, porém, mediante a resposta de fé, Maria exprime a sua livre vontade e, portanto, a plena participação do eu pessoal e feminino no evento da Encarnação. Com o seu fiat, Maria torna-se o sujeito autêntico da união com Deus que se realizou no mistério da Encarnação do Verbo consubstancial ao Pai.

Toda ação de Deus na história dos homens respeita sempre a vontade livre do eu humano. O mesmo acontece na Anunciação em Nazaré.

-- Carta Apostólica Mulieres Dignitatem, do Papa João Paulo II, no dia 15 de Agosto — Solenidade da Assunção de Maria Santíssima — do ano de 1988, décimo de Pontificado.

15 de mai de 2012

O terceiro artigo do Creio (Compêndio da Doutrina Cristão)

Que nos ensina o terceiro artigo do Creio: que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria?
- Que o Filho de Deus tomou um corpo e uma alma, como nós temos, por obra do Espírito Santo, no ventre de uma virgem chamada Maria, e que dessa virgem nasceu.

Que quer dizer: por obra do Espírito Santo?
- Quer dizer que o Espírito Santo do puro sangue da Virgem Maria formou um corpo, e nele criou a Alma; e a esse corpo e a essa alma se uniu o Filho; sendo verdadeiro Deus, começou a ser também verdadeiro Homem.


Concorreram tambem o Pai e  o Filho para formar este corpo e criar esta alma?
- Sim, para isso concorreram todas as três pessoas divinas.

Pois porque se diz somente "por obra do Espírito Santo"?
- Porque essa é uma obra da bondade e do amor; e obras da bondade e do amor se atribuem ao Espírito Santo.

Quantas naturezas estão em Jesus Cristo?
- Duas: a natureza divina e a natureza humana.

E quantas pessoas?
- Uma só, isto é, a segunda pessoa da Santíssima Trindade.

Quando se diz o Filho de Deus e o Filho de Maria, trata-se da mesma pessoa?
- Sim, entende-se a mesma pessoa, um só Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

Logo a Virgem Maria é mãe de Deus?
- Assim é, porque é mãe de Jesus Cristo verdadeiro Deus.

E Maria se conservou sempre virgem?
- Sempre permaneceu virgem, antes do parto e depois do parto.

-- Compêndio da Doutrina Cristã, por São Roberto Belarmino (século XVI)

12 de mai de 2012

Cristo nos confiou o ministério da reconciliação


São Cirilo de Alexandria

Os que possuem o penhor do Espírito e vivem na esperança da ressurreição, como se já possuíssem aquilo que esperam,podem dizer que desde agora não reconhecem a ninguém segundo a carne; pois somos todos espirituais e isentos da corrupção da carne. Com efeito, desde que brilhou para nós a Luz do Unigênito de Deus, fomos transformados no próprio Verbo que dá vida a todas as coisas. E assim como nos sentíamos acorrentados pelos laços da morte, quando reinava o pecado, agora ficamos livres da corrupção, ao chegar a justiça de Cristo.

Por conseguinte, doravante ninguém vive mais sob o domínio da carne, isto é, sujeito à fraqueza carnal. A ela com certeza, entre outras coisas, deve ser atribuída a corrupção. Neste sentido afirma o apóstolo Paulo: Se uma vez conhecemos Cristo segundo a carne,agora já não o conhecemos assim (2Cor 5,16). Como se quisesse dizer: O Verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14), sujeitando-se à morte segundo a carne, para a salvação de todos. Foi deste modo que o conhecemos; todavia, desde este momento, já não é mais assim que o reconhecemos. É verdade que ele conserva a sua carne, pois resuscitou ao terceiro dia, e vive no céu, à direita do Pai; mas a sua existência é superior à vida da carne. Tendo morrido uma vez, Cristo não morre mais; a morte já não tem poder sobre ele. Pois aquele que morreu, morreu para o pecado uma vez por todas; mas aquele que vive, é para Deus que vive (Rm 6,9-10).

Então, se ele se apresentou diante de nós como modelo de vida, é absolutamente necessário que também nós, seguindo seus passos, façamos parte daqueles que não vivem mais na carne mas acima da carne. É o que diz o grande Paulo, com toda razão: Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. O mundo velho desapareceu. Tudo agora é novo (2Cor 5,17). Fomos justificados pela fé em Cristo e terminou o domínio da maldade. Uma vez que ele resuscitou por nossa causa, calcando aos pés o poder da morte, nós conhecemos aquele que por sua própria natureza é o verdadeiro Deus. É a ele que prestamos culto em espírito e verdade, por intermédio de seu Filho que distribui sobre o mundo as bênçãos divinas do Pai.

Por esse motivo, São Paulo diz com muita sabedoria: Tudo vem de Deus que, por Cristo, nos reconciliou consigo (2Cor 5,18). Realmente, o mistério da encarnação e a renovação a que ela deu origem não se realizaram sem a vontade do Pai. É por Cristo que temos acesso ao Pai, como ele próprio afirma: ninguém pode ir ao Pai senão por ele. Portanto, tudo vem de Deus que, por Cristo, nos reconciliou consigo e nos confiou o ministério da reconciliação.

-- Dos Comentários sobre a Segunda Carta aos Coríntios, de São Cirilo de Alexandria, bispo (século V)

9 de mai de 2012

Saltério de Bençãos


Santo Arsênio da Capadócia, um dos monges mais famosos da antigüidade, nascido no século IV, era tão estimado por seus ditados, bênçãos e orações que as pessoas viajavam semanas e até meses para estar com ele e ouvir seus conselhos. Quando não conhecia uma oração específica para amenizar o problema de quem o consultava, o santo costumava utilizar os salmos. Aqui encontra-se a correspondência entre os salmos e diversas ocasiões, conforme listado por Paisios.  

Sem levar em conta qualquer consideração religiosa, este "Livro de Necessidades" é um retrato fascinante da vida da população de Anatolia no início do século quarto. Com certeza, não há aqui uma idealização de condições rurais: particularmente, vale a pena observar a extrema preocupação de se aliviar dores físicas e psicológicas.

Para nós, pelo menos, a justificação exata para a escolha de um salmo para uma determinada necessidade não é sempre óbvia; e talvez isto seja intencional, para fazer com que se reflita profundamente sobre as palavras. Um documento como este não é um endosso à superstição ou religiosidade natural, mas um canal pelo qual o Amor de Deus pode entrar em todos os aspectos de nossa sociedade.

O primeiro número é o salmo na "Bíblia dos Setenta". O segundo número é o salmo encontrado no texto da maioria das Bíblias em português.

  • 1 (1) Uma árvore ou uma vinha é plantada, para que ela possa dar fruto.
  • 2 (2) Para que Deus ilumine aqueles que vão a reuniões e a concílios.
  • 3 (3) Para que o mal possa se afastar das pessoas, para que elas não atormentem injustamente seus companheiros.
  • 4 (4) Para que Deus cure as pessoas sensíveis que ficam doentes com depressão por causa do comportamento das pessoas de coração duro.
  • 5 (5) Para que Deus cure os olhos feridos.
  • 6 (6) Para que Deus liberte a pessoa que esteja enfeitiçada.
  • 7 (7) Para aqueles que se prejudicam com o medo, terrores e com as intimidações de pessoas más.
  • 8 (8) Para aqueles que são feridos por demônios ou por pessoas perversas.
  • 9 (9 & 10) Para que os demônios deixem de lhe atormentar durante o sono ou com ilusões durante o dia.
  • 10 (11) Para casais de coração duro que discutem e se separam (quando o homem ou mulher de coração duro atormenta seu companheiro sensível).
  • 11 (12) Para pessoas com doenças mentais que possuem maldade e ferem outros.
  • 12 (13) Para aqueles que sofrem do fígado.
  • 13 (14) Para um demônio terrível, três vezes contínuas por três dias.
  • 14 (15) Para que os assaltantes e ladrões mudem e voltem a deixar de praticar o mal, e se arrependam.
  • 15 (16) Para que a chave seja encontrada quando for perdida.
  • 16 (17) Por uma acusação grave e injusta, três vezes por dia por três dias.
  • 17 (18) Quando houver um terremoto ou outro desastre natural, ou tempestade com raios e trovões.
  • 18 (19) Para que mulheres dêem à luz sem problemas.
  • 19 (20) Para os casais que por razões médicas não podem ter filhos, para que Deus os cure e que eles não se separe.
  • 20 (21) Para que Deus amacie os corações dos ricos e que eles dêem esmolas aos pobres.
  • 21 (22) Para que Deus contenha o fogo, e que nenhum mal pior ocorra.
  • 22 (23) Para que Deus suavize as crianças muito problemáticas que deixam tristes seus pais.
  • 23 (24) Para que a porta se abra quando a chave é perdida.
  • 24 (25) Para pessoas que têm problemas pela tentação e problemas em suas vidas por ela, fazendo-as perder sua paz e queixarem-se.
  • 25 (26) Quando alguém pede alguma coisa boa a Deus para que Ele a dê sem que a pessoa se prejudique.
  • 26 (27) Para que Deus proteja os camponeses do exército inimigo, para que eles não machuque as pessoas ou destrua seus campos.
  • 27 (28) Para que Deus cure aqueles que sofrem de doenças de origem nervosa ou mental.
  • 28 (29) Para aqueles que têm enjôo no mar e que têm medo de mar violento.
  • 29 (30) Para aqueles que estão em perigo em terras distantes, no território de pessoas incrédulas e cruéis, para que Deus as guarde e ilumine as pessoas que lá estão para que tenham paz e venham a conhecer a Deus.
  • 30 (31) Para que Deus dê semente e fruta suficiente quando o tempo não estiver bom para agricultura.
  • 31 (32) Para que os viajantes encontrem seu caminho quando estiverem perdidos e sofrendo com isto.
  • 32 (33) Para que Deus revele a verdade para aqueles que foram presos injustamente, e para que eles sejam libertados.
  • 33 (34) Para aqueles no limiar da morte, quando estão atormentados por demônios. Ou pelo exército inimigo quando ele traz perigo e invade a fronteira com intenções execráveis.
  • 34 (35) Para que Deus liberte as pessoas justas de armadilhas dos ímpios , que querem levar vantagem sobre o povo de Deus.
  • 35 (36) Para que o ressentimento desapareça completamente após discussões e desentendimentos.
  • 36 (37) Para as pessoas feridas gravemente por criminosos.
  • 37 (38) Quando os dentes causarem dores advindas de dentes podres.
  • 38 (39) Para que as pessoas abandonadas e deprimidas encontrem trabalho, para que elas deixem de estar tristes.
  • 39 (40) Para que o amor entre patrão e empregado volte quando houver uma troca de palavras ásperas.
  • 40 (41) Para que mulheres dêem à luz sem problemas quando a criança vier prematuramente ao mundo.
  • 41 (42) Para jovens quando ficam doentes ao se apaixonarem, e uma pessoa fica sentido e triste.
  • 42 (43) Para que as pessoas se libertem de prisões de uma nação inimiga.
  • 43 (44) Para que Deus revele a verdade a casais quando houver um mau entendimento, para que eles alcancem a paz e amor mútuo novamente.
  • 44 (45) Para aqueles que sofrem do coração ou dos rins.
  • 45 (46) Para as pessoas jovens que por causa da inveja possuem inimigos os impedindo de ter uma família (isto é, de se casarem).
  • 46 (47) Para que o empregador e empregado encontre paz, quando o empregado é ofendido pelo empregador, e para que o empregado encontre trabalho.
  • 47 (48) Quando gangues de criminosos roubam e desastres graves ocorram: para se lido continuamente por 40 dias.
  • 48 (49) Para aqueles que possuem um trabalho perigoso.
  • 49 (50) Para que as pessoas que estejam afastadas de Deus se arrependam e retornem para Deus e sejam salvas.
  • 50 (51) Quando, por causa de nossos pecados e fim de nos corrigir, a punição de Deus nos atinge (doenças epidêmicas e mortes de pessoas ou animais).
  • 51 (52) Para que os mestres de coração duro se arrependam e tenham compaixão e não atormentem as pessoas.
  • 52 (53) Para que Deus abençôe as redes e que elas fiquem cheias de peixes.
  • 53 (54) Para que Deus ilumine os ricos que compraram escravos para que eles os liberte.
  • 54 (55) Para que o nome de uma família que tenha sido acusada injustamente seja restaurado.
  • 55 (56) Para pessoas fracas, cujas almas foram feridas por seus companheiros.
  • 56 (57) Para aquelas pessoas que sofrem de dores de cabeça por grande tristeza.
  • 57 (58) Para que as coisas cheguem de forma útil para aqueles que trabalham com boa intenção, para que Deus impeça ações perversas de demônios ou pessoas desonestas.
  • 58 (59) Para aqueles que não podem falar, que Deus dê a eles a habilidade de falar.
  • 59 (60) Para que Deus revele a verdade quando um grupo inteiro de pessoas for injustamente acusado.
  • 60 (61) Para aqueles que têm problemas em seu trabalho seja por causa de preguiça ou por medo.
  • 61 (62) Para que Deus alivie os problemas da pessoa fraca, para que ele não seja dominado pelo desejo de queixar-se.
  • 62 (63) Para que os campos e as árvores dêem fruto quando a água for pouca.
  • 63 (64) Quando uma pessoa é mordida por um cachorro ou lobo raivoso. 
  • 64 (65) Para que os mercadores prosperem, para que eles não falem muito e levem vantagem de pessoas simples.
  • 65 (66) Para que o mal não crie obstáculos nas residências e faça com que famílias fiquem tristes.
  • 66 (67) Para que os locais onde as galinhas foram criadas sejam abençoados.
  • 67 (68) Para que as mulheres com problemas durante a gravidez consigam passar por esta fase e ficar saudáveis.
  • 68 (69) Quando houver chuva forte e rios transbordarem, levando com eles pessoas e casas.
  • 69 (70) Para pessoas sensíveis que ficam tristes por pequenas coisas e entram em desespero, que Deus dê a elas a força.
  • 70 (71) Para pessoas isoladas que se tornam entediadas de outras por causa da inveja do demônio e entram em desespero, que eles tenham misericórdia e cura de Deus.
  • 71 (72) Para que Deus abençoe as colheitas da nova produção de agricultura que os camponeses trazem para casa.
  • 72 (73) Para que os criminosos se arrependam.
  • 73 (74) Para que Deus proteja os camponeses que trabalham nos seus campos quando o inimigo tiver rodeado a vila.
  • 74 (75) Para que o empregador desumano se torne calmo e não atormente seus seres humanos companheiros, os empregados.
  • 75 (76) Para uma mãe que está amedrontada durante o nascimento de seu filho, para que Deus a dê coragem e a proteja.
  • 76 (77) Quando não houver entendimento mútuo entre pais e crianças, que Deus os ilumine, para que as crianças ouçam seus pais e os pais mostrem amor.
  • 77 (78) Para que Deus ilumine aqueles que emprestam para que eles não pressionem seus companheiros pelos seus debtos, e para que eles tenham compaixão.
  • 78 (79) Para que Deus proteja as vilas de roubo de um exército inimigo.
  • 79 (80) Para que Deus cure uma pessoa cuja face fica inchada e toda sua cabeça está doendo.
  • 80 (81) Para que Deus tome conta dos pobres necessitados, tristes e em depressão por causa da pobreza.
  • 81 (82) Para que as pessoas comprem produtos dos camponeses, para que os camponeses não fiquem tristes nem em depressão.
  • 82 (83) Para que Deus impeça as pessoas más que pensam em assassinar.
  • 83 (84) Para que Deus preserve tudo que é mantido na casa, e os animais e os produtos dos produtores.
  • 84 (85) Para que Deus ajude aqueles que foram feridos por ladroes e além do mais ficaram psicologicamente afetados pelo terror.
  • 85 (86) Para que Deus salve o mundo quando pragas vierem e pessoas morrerem.
  • 86 (87) Para que aumente as vidas dos membros de família que ainda são necessários pelo resto da família.
  • 87 (88) Para que Deus proteja todos aqueles que não possuem protetor e estão sofrendo por causa de companheiros de coração duro.
  • 88 (89) Para que Deus dê força àqueles que ficam doentes com facilidade e são fisicamente fracos, para que eles possam trabalhar sem ficar cansados e deprimidos.
  • 89 (90) Para que Deus traga chuva onde houver seca, ou que os poços dêem água novamente se eles deixaram de dar.
  • 90 (91) Para que o demônio desapareça quando ele aparecer em frente a uma pessoa e trouxer terror.
  • 91 (92) Para que Deus dê prudência a pessoas para que elas progridam espiritualmente.
  • 92 (93) Para que Deus proteja a embarcação quando ela estiver em grande perigo no mar. (Ele havia também para atirar água abençoada nos quatro cantos do navio).
  • 93 (94) Para que Deus ilumine as pessoas desordeiras que causam problemas para a nação e trazem comoção às pessoas, causando problemas pela desordem e divisões.
  • 94 (95) Para que nenhum feitiço faça que casais comecem a encontrar razoes para discussões e brigas.
  • 95 (96) Para que Deus dê às pessoas surdas a habilidade de ouvir.
  • 96 (97) Para que os encantamentos se afastem das pessoas.
  • 97 (98) Para que Deus dê conforto aqueles que estão tristes para que eles deixem de ficar deprimidos.
  • 98 (99) Para que Deus abencôe e dê graças às pessoas jovens que desejam deixar tudo e seguir a Deus. [Eu não sei quão correta está minha tradução aqui (diz o tradutor do grego para inglês). Para mim, a frase exata que é usada me faria pensar de pessoas que seguem a vida monástica, mas não tenho certeza. --Trans.]
  • 99 (100) Para que Deus abencôe e realize os desejos das pessoas que agem de acordo com Seu desejo.
  • 100 (101) Para que Deus dê graças e talentos para as pessoas bons e simples.
  • 101 (102) Para que Deus abencôe as pessoas que são poderosas para que elas ajudem as pessoas com doçura e inteligência.
  • 102 (103) Para que o fluxo mensal de sangue venha à mulher quando estiver atrasado.
  • 103 (104) Para que Deus abencôe as posses das pessoas que não são tristes e deprimidas, mas que glorificam a Deus.
  • 104 (105) Para que as pessoas se arrependam e confessem seus pecados.
  • 105 (106) Para que Deus ilumine as pessoas para que elas não se afastem do caminho da salvação.
  • 106 (107) Para que Deus dê à mulher que não pode dar à luz a habilidade de fazê-lo.
  • 107 (108) Para que Deus enfraqueça os inimigos, para que eles mudem suas intenções más.
  • 108 (109) Para que Deus cure os epiléticos. Ou, para que Deus tenha piedade daqueles que acusam injustamente e se arrependam.
  • 109 (110) Para que os mais jovens respeitem os mais velhos.
  • 110 (111) Para que os juízes injustos se arrependam e julguem as pessoas de Deus com justiça.
  • 111 (112) Para que Deus proteja os soldados quando eles forem para a guerra.
  • 112 (113) Para que Deus dê bênçãos à viúva pobre, para que ela pague seus débitos evitando de ir para a prisão.
  • 113 (114 & 115) Para que Deus cure as crianças retardadas mentalmente.
  • 114 (116:1-9) Para que Deus abencôe e conforte as crianças pequenas tristes e pobres, para que elas não sejam humilhadas pelas crianças ricas e conseqüentemente fiquem deprimidas.
  • 115 (116:10-19) Para que Deus cure da terrível inclinação à mentira.
  • 116 (117) Para que famílias sejam mantidas unidas e amem e glorifiquem a Deus.
  • 117 (118) Para que Deus enfraqueça os bárbaros quando eles rodearem uma vila e levarem medo, e que Ele inverta suas intenções más.
  • 118 (119) Para que Deus despedace os bárbaros e enfraqueça suas ações quando eles assassinarem crianças e mulheres inocentes.
  • 119 (120) Para que Deus dê paciência e tolerâncias às pessoas que vivem juntas com pessoas más e injustas.
  • 120 (121) Para que Deus proteja os escravos das mãos do inimigo para que eles não sejam mutilados antes de serem liberados.
  • 121 (122) Para que Deus cure todos que sofrem de "mau-olhado".
  • 122 (123) Para que Deus dê visão a cegos e cure os olhos dos que estão com dores.
  • 123 (124) Para que Deus proteja as pessoas de cobras, para que elas não as morda.
  • 124 (125) Para que Deus proteja os campos das pessoas justas das pessoas más.
  • 125 (126) Para que Deus cure as pessoas que sofrem de dores de cabeça contínua.
  • 126 (127) Para que Deus traga paz à família quando houver discussões.
  • 127 (128) Para que a maldade dos inimigos nunca se aproxime dos lares, e para que haja paz e bênçãos de Deus na família.
  • 128 (129) Para que Deus cure as pessoas que sofrem de enxaquecas, ou, para que Deus tenha piedade das pessoas grossas e insensíveis que trazem tristezas às sensíveis.
  • 129 (130) Para que Deus dê coragem e esperança àqueles que começam um novo trabalho e não o conhecem bem, para que eles não encontrem dificuldade extrema no seu trabalho.
  • 130 (131) Para que Deus leve conforto e arrependimento com esperança às pessoas para que elas sejam salvas.
  • 131 (132) Para que Deus mostre piedade ao mundo quando, por causa de nossos pecados, ocorrem guerras contínuas.
  • 132 (133) Para que Deus ilumine as nações e elas se tornem amigas e os povos encontrem a paz.
  • 133 (134) Para que Deus proteja as pessoas de todo o perigo.
  • 134 (135) Para que as pessoas se concentrem no momento da oração e que suas mentes estejam unidas com Deus.
  • 135 (136) Para que Deus proteja os imigrantes quando eles abandonam seus lares e para para que eles sejam salvos de bárbaros.
  • 136 (137) Para que Deus traga firmeza à pessoa de caráter instável.
  • 137 (138) Para que Deus ilumine os senhores de um local para que os pedidos das pessoas sejam tratados com inteligência.
  • 138 (139) Para que Deus corte a tentação de pessoas sensíveis que tenham pensamentos blasfemadores.
  • 139 (140) Para que Deus dê paz ao líder da família que possui um caráter difícil e traz sofrimentos a toda a família.
  • 140 (141) Para que Deus torne calmo os maus que controlam um local que atormentam seus companheiros.
  • 141 (142) Para que Deus acalme o rebelde que está praticando o mal; e mesmo que ele seja curdo, que ele se torne um cordeiro. [Santo Arsênio estava vivendo na Asia Menor. Curdos, que eram quase sempre soldados, tinham uma reputação entre outros grupos étnicos de serem lutadores brutais. ]
  • 142 (143) Para que Deus proteja a mãe em sua gravidez para que ela não perca o seu filho.
  • 143 (144) Para que Deus dê paz às pessoas quando elas estão agitadas para que não ocorra guerra civil.
  • 144 (145) Para que Deus abençôe o trabalho das pessoas para que ele seja bem aceito por Deus.
  • 145 (146) Para que Deus interrompa o fluxo de sangue das pessoas que sofrem disso.
  • 146 (147:1-11) Para que Deus cure as pessoas que foram mordidas e feridas por dentes de pessoas más.
  • 147 (147:12-20) Para que Deus traga paz aos animais selvagens para que eles não incomodem pessoas ou tragam prejuízos a produções das fazendas.
  • 148 (148) Para que Deus torne o tempo apropriado para que as pessoas tenham abundância e glorifiquem a Deus.
[Estas foram de Santo Arsênios. As seguintes são de Pai Paisios da Montanha Sagrada.]
  • 149 (149) Da gratidão e reconhecimento a Deus por Sua muita bondade e pela plenitude de Seu amor, que não conhece limite e nos tolera.
  • 150 (150) Para que Deus felicidade e conforto a nossos irmãos e irmãs tristes que estão em locais distantes, e para aqueles dentre nossos irmãos e irmãs que estão dormindo ainda mais longe. 


-- O SALTÉRIO COMO UM LIVRO DE NECESSIDADES, de acordo com o uso de Santo Arsênio de Capadocia, como transmitido pelo ancião Paisios do Monte Athos.

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